Partido leva escala urbana ao campus

04/03/2012 01:53

A equipe do Una - os arquitetos Cristiane Muniz, Fábio Valentim, Fernanda Barbara e Fernando Viégas (formados pela FAU/USP entre 1994 e 1995) - finalizou em 2009 os projetos básicos do teatro-laboratório e das escolas de artes dramáticas e corporais da Universidade Estadual de Campinas. Manteve-se o partido do anteprojeto com que venceram, em 2002, o concurso de ideias promovido pelo Instituto de Artes (IAR) da Unicamp, embora detalhes da implantação e espaços internos tenham sofrido modificações. Estas são favoráveis tanto à intensificação das relações de vizinhança entre os edifícios quanto ao melhor desempenho acústico.

O partido arquitetônico, caracterizado pelo desmembramento do programa em três edificações inter-relacionadas, pretende incorporar referências espaciais urbanas, como as escalas da praça, da rua e da viela, à morfologia radial e de grandes lotes do campus universitário.

Um dos marcos distintivos do projeto do Una em relação ao segundo colocado na competição (a equipe de Renato e Lilian Dal Pian) foi a implantação estar articulada por meio de edificações independentes, que configuram eixos de circulação e estar ao ar livre, capazes de acomodar os fluxos de acadêmicos não só entre os novos edifícios como, ainda, entre estes e os prédios existentes do IAR. A laje‑jardim sobre as salas de artes cênicas, por exemplo, teve aberturas de piso reduzidas, de modo a sugerir com maior ênfase a ligação do novo edifício com o entorno das escolas de música e artes plásticas, localizadas no extremo sul do lote.

Também a fachada sul desse edifício laminar teve ampliadas as superfícies de vedação semitransparentes - venezianas de PVC que permitem iluminação natural difusa e ventilação permanente -, de modo a colocar em primeiro plano de visualização tanto a galeria externa de circulação aérea quanto as aberturas verticais e de estrutura metálica, que demarcam os eixos de circulação vertical da escola de dança. A reordenação da fachada evidenciou os fluxos de passagem.

Um dos pontos centrais do projeto é a futura posição central do teatro-laboratório no complexo de artes, o que pode ter influenciado a linguagem racional e simples. A austeridade e a singeleza das edificações propostas deverão dialogar discretamente com as construções racionais existentes.

O teatro é também um edifício de volumetria sutil, embora os arquitetos tenham incorporado um chanfro no vértice junto à praça. Destaca-se mais em função da espacialidade híbrida do que pelo tradicional potencial iconográfico vinculado a equipamentos de programa semelhante. O foyer, por exemplo, funciona como extensão natural da praça aberta, na mesma cota da área externa e do palco. O pé-direito triplo do palco, por sua vez, conjuga-se aos múltiplos arranjos dos espetáculos (uma exigência do edital do concurso) para enfatizar o caráter experimental da edificação. Ainda não há data prevista para o início da construção, mas a previsão é que o teatro-laboratório seja implantado primeiro.


Texto de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 360 Fevereiro de 2010